22 Junho 2017
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Rodólitos Versão para impressão Enviar por E-mail

Fig. 1: Exemplares de rodólitos; Foto: M. Kaufmann

 

Rodólitos ou maërl pertencem às algas vermelhas (rodófitas) que são plantas pluricelulares, poucas são unicelulares e microscópicas, em geral bentónicas e filamentosas. Os filamentos podem agregar-se de forma a compor uma estrutura pseudoparenquimatosa ou laminar. Apresentam uma parede celular com celulose na parte interna, componente rígido, e, na parte externa, possuem ágar, substâncias que dão um aspeto escorregadio às algas.

Algumas dessas algas vermelhas têm, na parede celular, um depósito de carbonato de cálcio, e são chamadas de algas coralináceas. Dentro das coralináceas são distinguidas algas vermelhas calcárias articuladas e não articuladas. Neste último grupo incluem-se os rodólitos. Todas as algas vermelhas possuem cloroplastos apenas com clorofila a e ficobilinas (ficocianina e ficoeritrina), pigmentos esses que podem, em muitos casos, mascarar a cor verde e tornar a alga vermelha. Estes pigmentos são também responsáveis pela capacidade de absorção da luz mesmo em águas profundas.
As algas vermelhas são importantes para a economia, pois os ágares retirados da parede celular podem ser usados como espessantes, gelificantes e como base para a produção de diversos cosméticos. Além disso, em regiões orientais, são comercializadas e consumidas como vegetais.
Existem cerca de 5000 espécies de algas vermelhas, a maior parte são marinhas em zonas de clima tropical e temperado, existem ainda aproximadamente 200 espécies de água doce em águas frias, pouco profundas e com correntes fortes.


Rodólitos
Os rodólitos são um conjunto de algas vermelhas calcárias de aspeto pétreo, que é o resultado do crescimento de algas calcárias em forma de nódulos que crescem livres sobre o substrato arenoso. Incluem diversas outras algas adquirindo coloração muito variada, desde rosa ténue a vermelho. As algas produzem carbonato de cálcio a partir de compostos diluídos na água do mar e depositam-no nas suas paredes celulares, formando estruturas esféricas. Ao contrário das colónias de coral ou outras algas vermelhas calcárias, os rodólitos não são fixos ao fundo oceânico e rolam alguns centímetros por ano. Estes dispõem-se muitas vezes em agregados, formando bancos que cobrem grande parte do fundo do mar até ao largo do litoral. Absorvem o carbono diluído na água do mar para produzir o carbonato de cálcio com o qual constroem o seu esqueleto. Com isso ajudam a retirar o carbono da atmosfera, que é acumulado no fundo do mar por milhares de anos, contribuindo com o balanço climático do planeta. Os rodólitos são na verdade seres vivos responsáveis pela construção de habitats únicos e que contribuem para uma enorme diversidade de vida que neles vive.

Fig. 1: Exemplares de rodólitos; Foto: M. Kaufmann

Fig. 1: Exemplares de rodólitos; Foto: M. Kaufmann

 

Identificação

Os rodólitos são um conjunto de algas vermelhas calcárias de aspeto pétreo, que inclui algas que crescem sob pequenas pedras, restos vegetais e animais. Estes substratos atuam como um núcleo no qual são dispostas várias camadas de algas crostosas, fazendo com que a ligação entre elas seja de tal forma intensa que se torna impossível separá-las. Possuem uma coloração muito variada, desde rosa ténue a vermelho e têm um crescimento muito lento.

Fig. 2: Fundo coberto por rodólitos ou maërl; Foto: M. Kaufmann

Fig. 2: Fundo coberto por rodólitos ou maërl; Foto: M. Kaufmann 

 

Biologia

As algas calcárias não articuladas compreendem mais de 1000 espécies, ocorrendo em todos os oceanos, muitas vezes são dominantes em zonas ricas em nutrientes. Uma das espécies de algas vermelhas que constituem os rodólitos é Lithothamnion corallioides com distribuição desde a Irlanda e Ilhas Britânicas até o Mediterrâneo incluindo as Ilhas Canárias e o Arquipélago da Madeira. Outras espécies são, Lithothamnion glaciale, Lithothamnion tophiforme e Phymatolithon calcareum, com respetiva distribuição geográfica na Rússia, Noruega, do Báltico às Ilhas Britânicas, América do Norte e Gronelândia; desde Noruega à Gronelândia e Canadá; desde Noruega ao Báltico e Mediterrâneo.
A distribuição das camas de rodólitos é extremamente descontínua, com grandes concentrações registadas no sul do Japão, oeste da Austrália e no golfo da Califórnia, encontram-se também no Mediterrâneo, ao longo da Noruega, Irlanda, Escócia, noroeste do Canadá, este das Caraíbas e no Brasil. 

Curiosidades

Os rodólitos são essenciais na construção de recifes de coral em regiões tropicais, agindo como estruturadores, protegendo esse ambiente contra a ação erosiva das ondas, possibilitando o desenvolvimento e a manutenção desses ecossistemas. Podem ocupar grandes extensões no fundo do mar, constituindo os bancos de rodólitos ou maërl, que conseguem transformar fundos de areia num ambiente altamente complexo, servindo de casa e refúgio para uma infinidade de organismos marinhos.
Um estudo recente coloca a região dos Abrolhos, Brasil, como o maior banco de rodólitos do mundo ocupando uma área comparável à área ocupada pelos recifes de coral nas Caraíbas e à área ocupada pela grande barreira de coral, sendo o banco de rodólitos da região de Abrolhos responsável por 5% da produção mundial de carbonato de cálcio. Esta enorme reserva representa uma importante fonte de calcário e micronutrientes com grande potencial económico para uso agrícola como fertilizante e corretor de solos ácidos.
No Porto Santo, na ponta noroeste do ilhéu de Cima aflora, uma grande concentração de rodólitos conhecida como “Cabeço das Laranjas” da idade Miocénica (15-14 Ma), contemporâneas da fase de pré-emersão da ilha.
Os rodólitos são reconhecidos por fornecerem uma estrutura complexa e por servirem como micro-habitat relativamente estáveis para muitas outras espécies, resultando um aumento da biodiversidade e produção bentónica primária, especialmente quando comparados com os fundos oceânicos lisos e não consolidados. Embora espécies maiores de peixes e de invertebrados que ocorrem nos sistemas de recife adjacente apenas percorrerem os fundos de rodólitos ocasionalmente, os fundos de rodólitos apesar das limitações no suporte de um conjunto de recifes completos, são importantes fornecedores de corredores de migração para várias espécies migratórias, especialmente quando estes cobrem uma grande área entre recifes.

Fig. 3: Fundo arenoso com cobertura parcial de rodólitos e indivíduos do ouriço-do-mar de espinhos compridos (Diadema africanum); Foto: M. Kaufmann

Fig. 3: Fundo arenoso com cobertura parcial de rodólitos e indivíduos do ouriço-do-mar de espinhos compridos (Diadema africanum); Foto: M. Kaufmann

 

Fig. 4: Banco de rodólitos no Porto Santo; Foto: M. Kaufmann

Fig. 4: Banco de rodólitos no Porto Santo; Foto: M. Kaufmann

Referências bibliográficas

Amado-Filho et al. (2012) Rhodolith beds are major CaCO3 bio-factories in the tropical South West Atlantic. PLoS ONE 7(4): e35171. doi:10.1371/journal.pone.0035171

Haroun, R., Gil-Rodríguez, M. C. & Wildpret de la Torre, W. (2003). Plantas Marinas de las Islas Canarias. Canseco Editores S.L.

Luiz Jr., O. (2012). As pedras que são vivas. Revista Mergulho, 40-41. Obtido em 18 de dezembro de 2016, de https://goo.gl/huYD0Q

Ospar Commission (2010) Background document for Maërl beds. OSPAR Commission, London. 34 pp. disponível em: http://www.ospar.org/documents?v=7221

Rodríguez-Prieto, C., Ballesteros, E., Boisset, F. & Afonso-Carrillo, J. (2013) Guía de las Macroalgas y Fanerógamas Marinas del Mediterráneo Occidental. Ediciones Omega, Barcelona. 

 

Foto de grupo

Ana Luísa Drumond; Bianca Gomes; Cristiano Vieira; Hélder Cabo. Alunos da disciplina de Ficologia, do curso de Biologia da Universidade da Madeira sob orientação do Prof. Doutor Manfred Kaufmann

Ana Luísa Drumond; Bianca Gomes; Cristiano Vieira; Hélder Cabo. Alunos da disciplina de Ficologia, do curso de Biologia da Universidade da Madeira sob orientação do Prof. Doutor Manfred Kaufmann

 

 

 
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