28 Junho 2017
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Alga castanha Versão para impressão Enviar por E-mail

Fig 1

 
As algas são organismos que já existem há milhões de anos, hoje em dia, podem ser encontradas em quase todos os ambientes. Estas tornaram o nosso planeta habitável ao libertarem oxigénio para a atmosfera, deste modo, podem ser consideradas regeneradores de ecossistemas perturbados.

As algas podem ser classificadas devido à sua cor: Chlorophyta (algas verdes), Rhodophyta (algas vermelhas) e Phaeophyceae (algas castanhas).

A alga retratada neste artigo insere-se neste terceiro grupo. As Phaeophyceae são macroalgas marinhas perenes, mais conhecidas pelo tipo de alga que forma florestas aquáticas.

As algas castanhas possuem um leque de pigmentos: clorofila a; clorofila c; ß-caroteno; violaxantina; e fucoxantina, sendo este último pigmento responsável pela coloração castanha das algas.

Halopteris scoparia é uma alga comum, uma espécie que ocorre sobretudo no Atlântico Norte e Mediterrâneo (Fig. 1). Foi a primeira alga formalmente descrita para a Madeira pelo naturalista Sir Hans Sloane no século XVII. É uma espécie cujo nome tem origem na sua forma que se assemelha a uma vassoura ou “pincel de barba”. Quando presente na água forma aglomerados macios, pequenos tufos, sobre a superfície rochosa. Esta espécie tem interesse económico, como, por exemplo, para a indústria cosmética e farmacêutica.

Fig 1


Fig. 1: Halopteris scoparia no habitat natural; Foto: M. Kaufmann

 

Identificação

Halopteris scoparia tem uma coloração castanho-escura. A sua altura pode ser igual ou inferior a 15cm. Vive fixa ao substrato, em zonas não muito profundas, através de rizoides, que formam um disco basal fibroso e esponjoso.

Apresenta um talo espesso, ereto com muitas ramificações, que lembram vassouras ou “pincel de barba”. A sua ramificação é densa, e, irregularmente, alternada e dística, contudo, a última parte desta não é dística. Os seus eixos terminam numa célula apical evidente, e é esta a característica microscópica que dá o nome à ordem, Sphacelariales (Fig. 2).

As células dos eixos dividem-se transversal e longitudinalmente, causando um engrossamento do talo. Em secção transversal, as células medulares são angulosas e grandes, rodeadas por um córtex monostromático de células pequenas. O eixo principal apresenta córtex, ao contrário das ramificações.

Fig 2

 Fig. 2: Células apicais nas extremidades dos eixos principais; Foto: M. Kaufmann

 

Biologia

As algas castanhas podem crescer de diferentes formas, desde filamentosas, (microscópicas), a parenquimáticas, (macroscópicas, podendo atingir dezenas de metros no caso de algumas espécies conhecidas como kelp).

A sua reprodução é realizada através de um ciclo difásico isomórfico. Os esporângios são uniloculares, e globulares ou elíticos, pedicelados e estão agrupados na axila de ramos simples. Os gametângios são dispostos em racimos nas axilas dos ramos.

Halopteris scoparia é uma espécie perene que pode ser encontrada em águas marinhas e abrigadas com alta disposição de luz, mais concretamente em zonas subtidais rasas (águas rasas, no geral), em áreas de fundo arenoso, plataformas rochosas e poças do eulitoral e nos primeiros metros do sublitoral. Às vezes, pode ser confundida com outra espécie do mesmo género, Halopteris filicina com a qual coocorre no mesmo habitat (Fig. 3).

Fig 3

Fig. 3: Ao centro da foto Halopteris scoparia, ao fundo direito e em baixo à direita, Halopteris filicina; Foto: M. Kaufmann


Esta alga tem uma expansão que vai desde a Noruega a Cabo Verde, ao Mar Mediterrâneo e ao Mar Negro. Pode ser igualmente encontrada ao longo das províncias atlânticas do Canadá. Existente também no Taiwan e no Japão.

 

Curiosidades


•    Foi a primeira alga formalmente descrita na Madeira, por Sir Hans Sloane, um médico, naturalista e colecionador irlandês, no século XVII.
•    O nome anterior que descrevia esta espécie era Stypocaulon scoparium.
•    Em Catalunha, é chamada de “pèl” - cabelo.
•    Em inglês, chama-se “sea broom”, ou seja, vassoura do mar.
•    O seu nome grego significa asa do mar.
•    Costuma estar associada a uma outra alga castanha, Padina pavonica.
•    São extraídas desta espécie algumas substâncias, várias para o fabrico de produtos de cuidado pessoal, para a indústria cosmética e para a indústria farmacêutica, pois contém compostos antibacterianos, antifúngicos e antioxidantes.
•    Atualmente, Halopteris scoparia é estudada devido a compostos específicos com propriedades anti leucémicas.
•    É produzida e colhida, em grande escala, em França.
•    A fucoxantina é investigada por possuir propriedades de redução de massa gorda.

Ref. bibliográficas

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Sequeira, M. M., Santos-Guerra, A., Jarvis, C. E., Oberli, A., Carine, M. A., Maunder, M. & Francisco-Ortega, J. 2010. The Madeiran plants collected by Sir Hans Sloane in 1687, and his descriptions. Taxon, 59: 598-612.

 

Foto Grupo

Foto grupo

 Clarissa Trindade, Lara Soares, Melissa Gonçalves, Patrícia Silva. Alunas da disciplina de Ficologia, do curso de Biologia da Universidade da Madeira sob orientação do Prof. Doutor Manfred Kaufmann

 

 
Taxonomia
Império: Eukaryota
Reino: Chromista
Divisão: Ochrophyta
Classe: Phaeophyceae
Ordem: Sphacelariales
Família: Stypocaulaceae
Género: Halopteris
Espécie: Halopteris scoparia (Linnaeus) Sauvageau, 1904
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