24 Julho 2017
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Alga Verde Versão para impressão Enviar por E-mail

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As algas são um grupo heterogéneo de organismos, com origens variadas (polifiléticos) que desempenham um efeito profundo no planeta, principalmente através de atividade fotossintética no qual exercem um papel importante desde o seu aparecimento no Pré-Câmbrico, que ao longo dos anos contribuiu na formação de uma atmosfera rica em oxigénio.

 As algas são classificadas em 9 filos distintos, baseando-se na sua forma de obter nutrientes (são na maioria fotoautotróficas) e nos seus fotopigmentos, composição celular (unicelular e pluricelular) e ciclos de vida.

As “algas verdes” ou clorófitas (Chlorophyta) são o grupo mais diverso de algas, com mais de 7000 espécies e um extenso número de habitats, e é dos grupos mais abundantes que existe de macroalgas, no qual se encontram as algas vermelhas ou rodófitas (Rhodophyta), que são as mais abundantes, e as castanhas ou feofíceas (Phaeophyceae). Apesar de serem todas macroalgas não apresentam uma origem em comum.

O género Halimeda é descrito como macroalgas verdes calcárias, de crescimento rápido, que pode ser encontrada em oceanos tropicais. Os rizoides destas algas podem agregar-se facilmente em solo arenoso ou rochoso. O corpo destas algas é composto por carbonato de cálcio formando segmentos verdes achatados ou placas.

Cerca de 30 espécies de Halimeda são marinhas e podem ser encontradas na costa de zonas tropicais e subtropicais. Estas macroalgas foram encontradas inclusive a profundidades até 150 metros, podendo viver em ambientes onde a intensidade luminosa é mínima, o que sugere que esta interaja com outros seres fotossintéticos. A alga foi muito estudada como exemplo de um complexo específico.

A primeira descrição inglesa do género foi feita por Parkinson em 1640. A Halimeda incrassata foi registada no Arquipélago da Madeira em 2005 como espécie introduzida (possivelmente invasora) (Fig. 1).

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Fig. 1: Halimeda incrassata no habitat natural, Porto Santo; Foto: M. Kaufmann

Identificação

Uma das principais características desta alga é a sua estrutura fortemente calcificada e a sua grande abundância e distribuição em águas de pouca profundidade (aproximadamente 12 metros). 

A zona foliar é dura e segmentada, formando pequenos discos irregulares (de cor verde forte) com uma superfície plana. Pode crescer em formas distintas, podendo abranger desde grandes aglomerados foliares até estruturas com apenas de 5 ou 6 ramos segmentados. As algas mais maduras conseguem crescer até aproximadamente 25 centímetros em altura. Apresenta um aglomerado de rizoides que é responsável por manter a alga fixa de forma segura no substrato e por formar novas plantas a partir da alga originária (Fig. 2). Quando estas algas estão num ambiente muito favorável reproduzem-se de forma muito rápida produzindo novas algas perto da base, e normalmente têm um crescimento moderado.


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Fig. 2: Aspeto da Halimeda incrassata, mostrando os rizoides; Foto: M. Kaufmann

Biologia e distribuição

A Halimeda incrassata é uma macroalga calcificada e que pertence ao grupo das algas verdes ou clorófitas. Devido a sua estrutura calcificada esta não é comestível para a maioria dos peixes ou outros seres vivos. Esta alga encontra-se mais frequentemente em locais com luz moderada e zonas arenosas.

Estas algas tem os gametas masculinos e femininos separados em duas plantas diferentes enquanto os gametângios são produzidos em cachos ao longo das margens superiores dos segmentos.

As espécies do género Halimeda são holocarpicos e depois de os gâmetas serem libertados, deixam para trás o esqueleto de carbonato de cálcio. O zigoto desenvolve-se numa planta esférica inicialmente com um núcleo primário. Seguidamente são produzidos os filamentos por onde crescem as novas plantas.

Curiosidades

No Arquipélago da Madeira, mais concretamente no Porto Santo, esta espécie foi encontrada a trinta metros de profundidade num fundo arenoso próximo a um barco naufragado no largo do porto do Porto Santo (Fig. 3). A espécie foi introduzida no ecossistema da ilha do Porto Santo tendo origem muito provavelmente nas ilhas Caraíbas.

Esta alga é uma macroalga benéfica para tanques ou aquários não sendo  uma alga agressora, ou seja, não será prejudicial para espécies de corais ou invertebrados que também habitem o aquário. Por outro lado, devido ao esqueleto calcário, esta não é ingerida pelos peixes.

Quando morrem, estas macroalgas tornam-se brancas ficando apenas o esqueleto de calcário e na natureza, estas contribuem para a formação de areia para as praias, podendo produzir dois quilogramas de carbonato de cálcio por metro quadrado diariamente.

As Halimeda são muito vulneráveis a predadores, por esse motivo, estas algas criaram um mecanismo de defesa em que os cloroplastos ficam próximos ao talo e durante a noite migram para zonas mais internas para evitar os predadores.

Devido aos seus segmentos em forma de moeda, esta espécie de alga é também conhecida pelo nome de Money plant.

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Fig. 3: Aspecto de fundo arenoso com Halimeda incrassata observada no Porto Santo; Foto: M. Kaufmann

Referências bibliográficas

Heroen Verbruggen , Olivier De Clerck , Antoine D.R. N'yeurt , Heather Spalding & Peter S. Vroom (2006) Phylogeny and taxonomy of  Halimeda incrassata , including descriptions of  H. kanaloana  and  H. heteromorpha  spp. nov. (Bryopsidales, Chlorophyta), European Journal of Phycology, 41:3, 337-362, DOI: 10.1080/09670260600709315.

Kaufmann, M., Wirtz, P. (2005) Pfennigalgen. Neu für Madeira und den Ostatlantik: Halimeda incrassata goo.gl/NwjDhL

Anónimo, Sem Data. Halimeda (Monile/Incrassata). https://www.reefcleaners.org/aquarium-store/halimeda-monile-incrassata, acedido em 06/12/16.

Anónimo, 2015. Halimeda algae: Halimeda spp. http://reefcorner.com/reef-database-index/macroalgae-index/halimeda-macroalgae/, acedido em 06/12/16.

Anónimo, 2008. Halimeda: The Cactus Algae. http://www.reefkeeping.com/issues/2004-04/nftt/index.php, acedido em 06/12/16.

Anónimo, Sem Data, Halimeda Plant. goo.gl/FXz0er, acedido em 06/12/16.

P.A.J. Audiffred and W.F. Prud'homme van Reine, 1985, Marine algae of ilha do Porto Santo and Deserta Grande, v.40, 21-51

Linda E. Graham, James M. Graham, Lee W. Wilcox. Introduction to the Algae.http://www.botany.wisc.edu/graham/algae/chapter1introductiontothealgae.html, acedido em 12/12/2016.

Foto de grupo

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Tiago Ramos, Ricardo Reinolds, Pedro Gonçalves, Eva Nóbrega, Catarina Gomes, alunos da unidade curricular de Ficologia, do curso de Biologia da Universidade da Madeira sob orientação do Prof. Doutor Manfred Kaufmann.

 
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