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A par do peixe espada preto, o atum patudo é um dos mais importantes peixes comercialmente pescados na área do arquipélago da Madeira. Este peixe migrador e oceânico forma grandes cardumes próximo da superfície, pode atingir grande tamanho e é parte importante na gastronomia Madeirense.

O atum patudo é a espécie mais representativa e abundante dos grandes tunídeos que são actualmente pescados na área do arquipélago da Madeira. As suas capturas ocorrem durante todo o ano, embora seja mais abundante entre Março e Junho, altura em que aparece em grandes cardumes à superfície, que os pescadores locais designam por “cachos”. O seu nome científico, T. obesus, deriva do facto de ser o mais obeso dos seus congéneres e foi-lhe dado por Richard Thomas Lowe em 1839, quando descreveu esta espécie pela primeira vez como nova para a ciência, precisamente na Madeira, o que indica que a sua pesca se desenvolve nesta região há mais de dois séculos.
 Corpo robusto, fusiforme e moderadamente alto. Perfil da cabeça ligeiramente convexo. Cabeça cónica e olho grande. Primeira barbatana dorsal mais alta no início, decrescendo de altura de forma gradual até ao início da segunda barbatana dorsal, que é praticamente simétrica com a barbatana anal. Barbatanas peitorais moderadamente longas. Uma quilha longitudinal conspícua de cada lado do pedúnculo caudal. Coloração do corpo prateada rosada no ventre e azul metálico no dorso, com uma mancha longitudinal amarelada nos flancos. Extremidades das barbatanas amarelas. Pínulas amarelas e debruadas de negro.
Espécie epipelágica a mesopelágica, oceânica e migradora, podendo ocorrer até 250m de profundidade. Pode atingir até 2,3 m de comprimento total e 170kg. Carnívora, alimenta-se de peixes e invertebrados pelágicos. Reprodução ovípara, entre Maio e Setembro. O Golfo da Guiné é um importante local de reprodução da espécie no oceano Atlântico oriental.

Espécie cosmopolita nas latitudes tropicais e subtropicais, não está presente no Mar Mediterrâneo. Encontra-se em todos os arquipélagos Macaronésicos. Sazonalmente muito comum. Flutuações na sua abundância estão relacionadas com variações anuais da temperatura das águas.

 Na Madeira é o mais comum dos atuns, aparecendo durante quase todo o ano, sendo contudo mais comum de Março a Junho. É pescado comercialmente com a técnica do salto e vara, com auxílio de isco vivo e também à linha. As capturas anuais na Madeira rondam as 900 toneladas por ano, representando cerca de 2 milhões de euros. Os pescadores desportivos também capturam esta espécie com corrico, com amostra artificial. A sua carne é muito apreciada, constituindo prato típico no mês de Junho, quando se festejam os Santos Populares. Tem valor comercial moderado. Na culinária japonesa é utilizado como sashimi em substituição do atum rabil.
Como todas as espécies de tunídeos, é alvo de intensa pesca internacional (cerca de 85.000 toneladas/ano no Atlântico). As suas capturas no oceano Atlântico estão regulamentadas pela União Europeia e outros organismos regionais sob a tutela da FAO. A ICCAT (Comissão Internacional para a Conservação dos Atuns do Atlântico) faz a avaliação dos stocks e presta assessoria científica às entidades gestoras das pescas. A manter-se o actual esforço de pesca, esta espécie parece não estar ameaçada, ao contrário do atum rabil cuja situação é altamente preocupante.

Atum cozido com cebola, azeite e salsa ou Atum de S. João (Receita para 8 pessoas gentilmente cedida por Conceição Ornelas)
Ingredientes (para 8 pessoas): 2kg de atum patudo em posta 8 a 10 batatas médias 4 cebolas grandes 5 dentes de alho 2 ramos de salsa 3 raminhos de orégãos Azeite virgem Vinagre de estragão Sal grosso
Preparação: Parta as cebolas em barquinhos. Reserve metade. Com a outra metade faça uma cama no fundo de uma panela de boca larga. Parta a posta de atum em bocados de aproximadamente 300 gramas e coloque dentro da panela. Junte os dentes de alho esmagados. Tempere com sal a gosto. Coloque um ramo de salsa e os orégãos por cima do peixe. Regue com 1 dl de azeite e tempere com duas colheres de sopa de vinagre. Deite água de modo a não cobrir totalmente os bocados do atum. Leve a cozer em lume brando durante aproximadamente 45 minutos. Retire o atum para uma taça de louça. Com um garfo separe o peixe em lascas. Escalde a cebola que reservou na água da cozedura do atum. Deite por cima do peixe a cebola escaldada e a água restante da cozedura. Misture o atum na taça e cubra com um ramo de salsa fresca picada. Regue abundantemente com azeite e adicione mais vinagre a gosto. Está pronto a servir.
Acompanhamento: Lave as batatas e corte em metades. Coza em água e sal, juntando 2 dentes de alho e 1 raminho de orégãos. Sirva numa taça para acompanhar o peixe.

Em alternativa este peixe pode ser utilizado para fazer sanduíches com pão caseiro. Acompanhe a refeição com um bom vinho tinto. Beba com moderação.
Bom apetite!
Collette, B. B. e C. E. Nauen, 1983. FAO species catalogue. Vol. 2. Scombrids of the world. An annotated and illustrated catalogue of tunas, mackerels, bonitos and related species known to date. FAO Fisheries Synopses (125), Vol. 2: 137 pp.
Nunes, A. A., 1974. Peixes da Madeira. Ed. Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, 284 pp.
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