31 Outubro 2014
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Choco Versão para impressão Enviar por E-mail

O choco é muito conhecido pelos investigadores que estudam os cefalópodes, pois é capaz de alterações de cor, padrões corporais e outros comportamentos originais e interessantes. 

Identificação

Corpo largo e oval. Barbatanas longas e delgadas, formando uma margem ondulatória ao longo dos lados do manto.  Ventosas dos braços dispostas em 4 filas transversais com anéis quitinosos. A boca está rodeada de 10 tentáculos, sendo 2 mais longos e utilizados para caçar alimentos. Concha interna calcificada  - siba (figura 3)– robusta, arredondada anterior e posteriormente, com superfície rugosa e tubérculos. Nos machos 4º braço esquerdo hectocotilizado. Cor do corpo castanha, riscada ou pintalgada dorsalmente; branca ventralmente.

 

Imagem do choco Imagem da concha interna denominada siba

Figuras 2 e 3 – Imagem do choco e no lado direito da sua concha interna denominada siba

 

Biologia, alimentação e reprodução

Os indivíduos desta espécie atingir até 45 cm de comprimento de manto e pesar 4 Kg.

Camuflagem:  durante o dia, o choco permanece enterrado em fundos de areia e só se torna ativo ao anoitecer. Apesar do seu aspecto inofensivo, é um predador astuto e eficiente. Graças à capacidade de mudar de côr, aproxima-se das suas presas (moluscos, crustáceos e peixes) sorrateiro e impercetível. Depois, captura-as com dois tentáculos modificados para este efeito e que se projetam rapidamente como a língua de um sapo. O seu bico forte corta a presa, ao mesmo tempo que lhe é injetada uma toxina paralisante.

Exemplos de camuflagem do choco quando juvenil Exemplos de camuflagem do choco quando quando adulto

Figura 4  - Exemplos de camuflagem do choco quando juvenil (esquerda) e quando adulto (direita)

 

Reprodução: durante a época reprodutiva, os machos cobrem-se de um vistoso padrão zebrado e modificam um dos tentáculos para introduzir o esperma no interior da fêmea. Esta fixa os “cachos” de ovos pretos a algas.

Ovos de choco (cada postura chega aos 4.000 ovos)

Figura 5 - Ovos de choco (cada postura chega aos 4.000 ovos)

 

Podemos encontrar indivíduos adultos ao longo de todo o ano, mas a época de reprodução por excelência em Portugal estende-se desde Fevereiro a Outubro, com posturas de 4.000 ovos que medem entre 8-10 mm. Os ovos são protegidos por um involucro gelatinoso preto como se pode observar na figura 5.

Alimentação: tal como a maior parte dos cefalópodes, o choco é uma espécie carnívora durante todo o seu ciclo de vida. Come caranguejos, camarões, poliquetas, pequenos peixes e outros chocos.

 

Habitat e Distribuição

Espécie nectobentónica, vive junto a fundos arenosos ou vasosos entre a praia e os 200 m de profundidade, sendo mais comum nas áreas costeiras até aos 100m. O choco procura zonas menos profundas e mais abrigadas para se reproduzir, sendo uma espécie comum dos nossos estuários e no mar.

Distribuição: Atlântico oriental, do Mar do Norte à fronteira entre a costa noroeste sudoeste de Africa (16ºN). Arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias. Mar Mediterrâneo

 

Curiosidades e utilizações

Tal como outras espécies de cefalópodes, o choco reproduz-se apenas uma vez durante o seu ciclo de vida que é de aproximadamente de dois anos.
Já foi observado canibalismo nesta espécie.

Em Portugal existe uma pescaria dirigida ao choco efetuada com covo e redes de tresmalho. Os chocos são também capturados em Portugal continental com redes de arrasto de fundo e redes de cerco.

O choco tem elevado valor comercial sendo os indivíduos pequenos muito apreciados.

Apesar do estado de conservação em Portugal desta espécie ser até certo ponto desconhecido, sabe-se que noutras regiões como no Mediterrâneo (Tunísia, Grécia e Itália) as capturas estão próximas da captura máxima sustentável. Por isso deve ter-se especial atenção à região de origem, em especial quando se está a comprar choco congelado. Devido ao seu ciclo de vida com uma única fase de reprodução antes de morrerem, todos os indivíduos capturados, pequenos ou grandes, nunca se reproduziram antes. Por estas razões o seu consumo deve ser moderado.

Gastronomia: as receitas tradicionais portuguesas com choco são ricas e variadas, são exemplo disso, pratos como o choco grelhado, choco guisado, feijoada de choco ou ainda o tradicional choco frito “à setubalense”. O choco é geralmente comercializado fresco (mais comum no Verão) ou congelado. Segue uma receita se alguma vez quiser experimentar.

Ingredientes:
- 1 kg choquinhos
- 8 batata(s)
- azeite
- vinagre
- salsa picada
- 2 cebola(s) picada(s)
- 6 dente(s) de alho
- q.b. Pimenta
- q.b. sal

Preparação:
1. Arranjam-se os chocos, sem retirar o saco de tinta. Salpicam-se com sal e grelham-se de um lado e do outro.
2. Dispõem-se numa travessa com os golpes para cima, sobre cada um dos quais se coloca um montinho de picado de cebola, alho e salsa. Polvilham-se com pimenta e rodeiam-se com batatas cozidas.
3. Servem-se com azeite e vinagre. Quanto mais pequeninos forem os chocos, mais saborosos serão

 

Bibliografia

Reid, A., P. Jereb, & C.F.E. Roper 2005. Family Sepiidae. In: P. Jereb & C.F.E. Roper, eds. Cephalopods of the world. An annotated and illustrated catalogue of species known to date. Volume 1. Chambered nautiluses and sepioids (Nautilidae, Sepiidae, Sepiolidae, Sepiadariidae, Idiosepiidae and Spirulidae). FAO Species Catalogue for Fishery Purposes. No. 4, Vol. 1. Rome, FAO. pp. 57–152.

Roper C.F.E., M.J. Sweeney & C.E. Nauen 1984. Cephalopods of the world. Food and Agriculture Organization, Rome, Italy. Vol. 3, p. 277.

Norman, M.D. 2000. Cephalopods: A World Guide. ConchBooks


São animais de médio e grande porte, podendo os indivíduos desta espécie atingir 1,5 m de comprimento e um e um peso total igual ou superior a 10 Kg
 
Taxonomia
Império: Eukariota
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Subfilo: Vertebrata
Classe: Cephalopoda
Ordem: Sepiida
Família: Sepiidae
Género: Sepia
Espécie: S. officinalis (Linnaeus 1758)
Autor desta ficha
Teresa Mafalda G. Jardim Freitas Araujo Teresa Mafalda G. Jardim Freitas Araujo
Directora da Estação de Biologia Marinha do Funchal
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