22 Dezembro 2014
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“Teatro Municipal Baltazar Dias” Versão para impressão Enviar por E-mail

Teatro Municipal

 

Como todas as grandes cidades do Mundo, também o Funchal tem um teatro municipal.

No nosso caso, o Teatro Baltazar Dias em homenagem ao poeta cego da ilha da Madeira - Baltazar Dias - autor teatral da segunda metade do séc. XVI e que ainda é representado em autos populares em África, no Brasil e no continente europeu.

Construído em 1888, o Teatro Municipal foi palco das mais importantes manifestações culturais na Madeira, quer em cena, quer no ecrã, já que durante muito tempo a sala foi a única a exibir filmes na Madeira.

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Desde a demolição do velho Teatro Grande, era aspiração dos munícipes funchalenses a construção de um teatro digno da terceira cidade do País.

Com a extinção dos conventos, conseguiram as câmaras municipais apropriarem-se de vários terrenos alegando razões várias de ordem pública, nem sempre muito autênticas, mas que acautelaram de certa forma esse património. Assim aconteceu por todo o país e igualmente pelo Funchal.

Em terrenos anexos ao convento de São Francisco, entre a grande igreja que nunca chegou a ser acabada e o mar, mandou a Câmara construir em 1832 um grande mercado público, logo baptizado de Constitucional.

No ano imediato e com a reviravolta absolutista de D. João VI, o nome foi rapidamente abolido, não havendo coragem de lhe dar outro, pelo que ficou com a evocação da ribeira que lhe passava quase ao lado: S. João.

Era no mercado de São João, entre o primeiro e segundo quartel do sec. XIX, onde toda a cidade fazia as suas compras, que funcionava como o centro de convívio diário e obrigatório.

No entanto, quando em 1835 se constrói um novo mercado, junto ao populoso bairro de Santa Maria Maior e junto as ruínas da velha igreja de Nossa Senhora do Calhau, o Mercado unia-o, logo aqui se concentra grande parte destas actividades, esvaziando-se um pouco o mercado de S. João. Em 1839 o mercado continua a crescer e é vedado com uma galeria de ferro e três portas.

Em poucos anos, o vasto espaço do mercado de São João começa a perder a função, sendo uma parte do recinto aproveitado para a construção do Circo Funchalense, onde trabalharam várias companhias de acrobatas, palhaços, que fizeram as delícias do público e, principalmente, das crianças.

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Entre 1883 e 1884, na vereação presidida pelo morgado João Sauvaire da Câmara, voltou a levantar-se o problema da falta dum Teatro Municipal, independente e alheio às vicissitudes das empresas particulares, sendo nomeada uma comissão para escolher o local.

Foi então parecer da comissão que o local ideal seria o amplo mercado e o circo.

O projecto é entregue ao engenheiro portuense TOMÁS AUGUSTO SOLER, autor de vários projectos de mérito e então arquitecto-chefe da construção dos caminhos de ferro de Minho e Douro, assim como autor da Associação Comercial do Porto, do Banco Aliança, também no Porto e do Jardim Botânico de Coimbra.

No entanto o arquitecto e engenheiro portuense falece no Porto a 12 de Junho de 1883, vindo para o Funchal o mestre-de-obras Manuel Pereira, também do Porto, que aqui dirige as obras.

A 24 de Outubro de 1884 é lançada a primeira pedra da construção do futuro Teatro Municipal do Funchal.

Para celebrar o acontecimento, três bandas de música reuniram-se no então chamado Jardim Novo, hoje Municipal, Rainha D. Amélia ou de São Francisco, em frente do qual se iniciará a construção.

Para estas obras vieram ainda dois pintores e decoradores conhecidos no país, Eugénio do Nascimento Cotrim e o italiano Luigi Manini, ambos com franca experiência no campo da decoração de teatros.

Como pintor de cenários e de teatros, Luís Manini pintou ainda algumas dezenas de cenários para São Carlos, para o Teatro Garcia de Resende, em Évora, etc..

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Entretanto foi enviado convite a rainha Pia de Sabóia, mulher do rei D. Luís, que como infante e durante as suas viagens oceanográficas e científicas visitara duas vezes a Madeira, para autorização de dar ao novo teatro o nome da rainha de Portugal. A autorização foi dada e o teatro municipal passou a ser denominado D. MARIA PIA.

Aliás ao longo de todo o séc. XIX, o modelo dos teatros portugueses será o italiano de S. Carlos.

As fachadas do teatro do Funchal são um pouco rígidas, não tendo havido cuidado de tratar a fachada virada ao mar, o que entre nós não deixa de ser curioso.

A plateia comportava inicialmente 250 lugares, dos quais 100 eram mais confortáveis e de maior preço, seguindo-se as cadeiras a aproximarem-se do fosso da orquestra.

Superiormente e em correspondência, ficam os camarotes de 2ª. Ordem, com os três camarotes centrais anulados pela montagem da sala de projecção. Frizas e camarotes, conforme a sua colocação transversal, devem comportar 4, 5 e 6 lugares.

A 2ª. Ordem de camarotes nivela-se com o salão nobre, no 1º. Andar do edifício, servido por um corredor semi-circular.

A comunicação actual dos andares e feita interiormente através de pequenos lances de escada de corrimão de ferro forjado, o que inicialmente não foi previsto.

Inicialmente foi prevista uma geral com 150 lugares, dos quais 100, na frente, com melhor campo visual, eram designados por cadeiras de galeria, e aos lados, as bancadas.

Hoje é por questões de segurança – o teatro ja tem 100 anos - e razões técnicas, o sistema de iluminação, este espaço não é utilizado pelo público em geral.

As obras do teatro encontravam-se concluídas em Julho de 1887 e a 27 desse mesmo mês os artistas fizeram com uma grande festa, a entrega do edifício à Câmara.

Na ocasião, para experimentar as condições acústicas da nova sala, a orquestra da Associação Musical 25 de Janeiro deu um concerto. A afluência do público foi tal, que o Diário de Notícias de 30 de Julho de 1887, depois de considerar que o teatro se apresentava em boas condições, o classificou de encantador.

Depois desta data, a inauguração foi diversas vezes anunciada, a primeira das quais para o dia 16 de Outubro desse mesmo ano de 1887, data do aniversário da rainha D. Maria Pia, padroeira do teatro, mas tal não se realizou.

Até a sua abertura oficial, entretanto, uma grande polémica se gerou à volta da figura do governador civil de então, o Visconde de Canavial, acusado várias vezes de ignorar a miséria que grassava junto da população para se preocupar mais com o camarote do novo teatro que havia exigido para si.

O teatro recebeu vários nomes desde a sua inauguração até aos dias de hoje. Primeiramente chamava-se Teatro D. Maria Pia, em homenagem à esposa de D. Luís I. Após a implantação da República mudou de nome para Teatro Funchalense. Posteriormente foi nomeado Teatro Manuel de Arriaga, antigo deputado pela Madeira e Primeiro Presidente da República. Anos mais tarde é proposta, pelo então presidente da Câmara, Fernão de Ornelas, uma nova denominação para Teatro Municipal Baltazar Dias, em homenagem ao dramaturgo de origem madeirense, designação essa que permanece até aos dias de hoje.

 

Contactos:
Morada: Avenida Manuel de Arriaga –Funchal
Telefone: 291 215 130
Fax: 291 227 730
e-mail: Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar
Horário: 10h-18h

O Teatro Municipal Baltazar Dias, proporciona visitas guiadas, mediante o seguinte contacto prévio:
Tânia Chaves:  Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar  / 291 215 130


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