28 Junho 2017
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Museu Cidade do Açúcar

O Museu A Cidade do Açúcar

Pretende constituir-se como um espaço de identificação da memória da produção e tecnologia açucareira da Madeira, nos seus dois mais importantes ciclos, no século XV-XVI e XIX .

O Museu A Cidade do Açúcar dá a conhecer aos visitantes as consequências culturais desses ciclos económicos.

O Museu A Cidade do Açúcar quer constituir-se como reserva da memória do quotidiano do Funchal, entre os séculos XV e XVII, através dos vestígios arqueológicos que as escavações realizadas puderam ajudar a redescobrir.

A exposição, localizada na cave, conjuga dois aspectos, os achados provenientes das escavações realizadas nas antigas casas de João Esmeraldo e o património artístico e construído que reflecte o poderio económico do Ciclo do Açúcar


História

No espaço onde antes se erguia a Casa manuelina de João Esmeraldo – flamengo que se instalou na Madeira no final do Século XV para produzir e negociar Açúcar – inaugurou-se, a 15 de Junho de 1996, o Núcleo Museológico A Cidade do Açúcar, actual Museu A Cidade do Açúcar.

As escavações arqueológicas de 1989, nesse mesmo espaço, puseram a descoberto um numeroso e importante espólio de testemunhos da vida quotidiana entre o século XVI e XVII, parte da qual se encontra em exposição no museu, destacando-se as formas de açúcar, a faiança portuguesa e ceitis do reinado de D. Afonso V.

Salientam-se ainda um raro conjunto de medidas manuelinas, contadores e objectos em prata lavrada com o brasão de armas da cidade do Funchal. São também dignas de atenção as peças provenientes do Oriente, entre as quais figuram dois exemplares de porcelana chinesa do século XVII, de elevada qualidade técnico-artística.
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A Casa de João Esmeraldo dita “De Colombo”


João Esmeraldo ou Jeanim Esmerandt ou Esmenaut, veio da Flandres para Lisboa, em 1480, como funcionário da Companhia Despars, sediada em Bruges. Esta empresa dedicava-se ao comércio do açúcar, entre a ilha da Madeira e a Flandres. João Esmeraldo deslocou-se por diversas vezes à Madeira, até aqui se instalar definitivamente. Mais tarde vai tornar-se independente, sendo possuidor de várias explorações de cana-de-açúcar. Adquiriu a Rui Gonçalves da Câmara a propriedade da Lombada da Ponta do Sol onde, ainda hoje, apesar de muito modificado, existe o Solar dos Esmeraldos.

Uma longa tradição oral desde sempre ligou a casa do mercador flamengo João Esmeraldo ao descobridor da América, Cristóvão Colombo.

A Madeira teve uma importância estratégica, nos rumos possíveis da expansão e prospecção de novas terras no Atlântico. Cristóvão Colombo parece ter estado pela primeira vez em Portugal em 1476, e permanecido por três vezes na ilha da Madeira. As duas primeiras devem ter sido feitas na qualidade de mercador, negociante de açúcar, tendo a primeira das viagens sido realizada à volta de 1478/79.

Em 1478, Paolo Di Negro, vivendo em Lisboa, incumbe Colombo de se deslocar à Madeira para carregar açúcar para Ludovico Centu rione, genovês.

Por volta de 1480, Cristóvão Colombo casou com Filipa de Moniz, filha de Bartolomeu Perestrelo, primeiro Capitão Donatário do Porto Santo.

A sua segunda viagem à Madeira pode situar-se entre 1480-82, sendo possível que tivesse travado conhecimento com João Esmeraldo. Em 1492, julgando ter aportado na Índia, já ao serviço dos reis católicos, chega às Américas (Antilhas).

Em 1498, elevado à categoria de Almirante e Vice-Rei das Índias, a caminho da sua terceira viagem, passa pela Ilha da Madeira, em direcção à ilha de Gomera (Canárias), aqui permanecendo seis dias. É possível, pelo menos assim o diz a tradição oral, que Cristóvão Colombo ficasse hospedado em casa do mercador flamengo João Esmeraldo.

A casa de João Esmeraldo deve ter sido construída à volta do ano 1495, pelo pedreiro Gomes Garcia. A sua estrutura revelava uma curiosa assimetria de vãos onde se desenvolveriam ao nível do rés-do-chão, lojas, sendo os andares superiores para habitação. Para além de curiosos arcos em ogiva, destaque-se a célebre janela geminada, de vocação arquitectónica manuelina, e que hoje é o único testemunho físico existente. Montada em situação romântica, numa quinta no Funchal, ganhou nova vida. A janela apresenta incisa na cartela modelada no colunelo central, a inscrição: “JHS 1494 Maria (?)”

A casa de João Esmeraldo resistiu ao longo de séculos a várias transformações, tendo a Câmara Municipal do Funchal deliberado, por unanimidade, a sua demolição em 1876. Foi recuperado e incluído hoje na área de exposição do museu o único testemunho in loco da antiga construção que é o poço da primitiva casa. Em parte do espaço antes ocupado pela casa foi construída uma travessa, sob a denominação de Cristóvão Colombo. Na rua em que João Esmeraldo construiu a sua moradia, outros comerciantes abastados possuíam residência, como João de Valdevesso, mercador castelhano e Francisco Salamanca, escrivão da Santa Casa da Misericórdia do Funchal.


Escavação Arqueológica – Casa de João Esmeraldo


As primeiras intervenções arqueológicas da cidade do Funchal, foram realizadas entre Julho e Outubro de 1989, com o objectivo de encontrar as estruturas das casas, edificadas no final do século XV, pertença do mercador flamengo João Esmeraldo. Estas casas entraram em ruínas em meados do século XIX e por unânime decisão camarária, foram demolidas em 1876, para se ligar a Rua do Esmeraldo à Rua do Sabão. Já em 1989, a Câmara Municipal do Funchal, para não cair em erro semelhante, determinou que se fizessem escavações prévias para se detectarem vestígios dessas habitações quatrocentistas e recuperar o chamado Poço de Colombo. Para tal propósito foi organizada uma equipa especializada, constituída pelo arqueólogo Mário Varela Gomes, pela Dr.ª Rosa Varela Gomes, por um técnico de escavações, Francisco Serpa, com o apoio do historiador Rui Carita e de outros peritos em investigação, a fim de intervir na referida área urbana. O espólio encontrado representa uma amostragem assaz significativa da vida na Ilha entre os fins do século XV, até ao século XVIII.

As primeiras peças recuperadas desta intervenção arqueológica foram restauradas no Museu Municipal de Arqueologia de Silves, com o apoio da Câmara local. Posteriormente este trabalho teve continuidade, sendo executado pela responsável do Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal do Funchal. Foram encontradas grandes quantidades de fragmentos de cerâmica portuguesa dos séculos XV/XVI e XVII, como anforetas, bilhas, escudelas e malgas. Ainda cachimbos, selos de chumbo, moedas, botões, balas de mosquete, contas de colares e outros, exumados na sua maioria, do Poço de Colombo.

Foi também possível localizar nesta área celeiros enterrados, do tipo silo, com materiais dos séculos XV/XVI e XVII. Estes correspondem já a uma fase de abandono da sua primitiva utilização. Apareceram ainda vários tipos de pavimento, demonstrando uma ocupação diacrónica. No quintal da antiga casa foi localizada uma necrópole, provavelmente anterior à sua construção e mesmo à da Sé Catedral.

Este quarteirão escavado tem a Norte a Rua Cristóvão Colombo, a Sul a Rua da Alfândega, a nascente a Rua do Esmeraldo e a poente a Rua do Sabão, medindo cerca de 750 m2. As estruturas postas a descoberto foram sendo simultaneamente registadas, através de plantas, cortes e alçados, tendo-se efectuado uma cobertura fotográfica dos principais aspectos, artefactos e resultados dos trabalhos.

Os materiais exumados foram referenciados em função de sectores, quadrados e unidades estratigráficas de proveniência. As terras removidas foram integralmente crivadas. O espólio osteológico humano, a fauna mamalógica e os restos malacológicos e vegetais, foram estudados por especialistas na matéria.

Esta escavação de 1989, foi uma oportunidade rara para de uma forma arqueológica e científica explorar o solo da cidade do Funchal, que agora comemora 500 anos.

A arqueologia ajuda a fornecer detalhes da vida quotidiana dos nossos antepassados, que raras vezes é referenciada noutros suportes de investigação. Proporciona um activo diálogo com a história, sendo essencial como elemento da patrimonologia.

 

Contactos:
Praça do Colombo, 5 - Funchal
Telefone:  291 23 69 10
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 Horário:
Aberto de Segunda a Sexta-feira das 9h30 às 17h30m.
Encerrado aos Sábados, Domingos e Feriados.

Ingressos:
Normal - 3,86€
Terceira Idade e Jovens dos 11 aos 17 anos - 1,86€
Visitas de Serviço Educativo - Gratuito.
 

 


Galeria de Fotos

 
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