27 Março 2017
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Enquadramento Histórico Versão para impressão Enviar por E-mail

O povoamento da Madeira iniciou-se em 1425. Após a sua descoberta, em 1419, a Ilha foi dividida em duas capitanias, cabendo a do Funchal a João Gonçalves Zarco, onde se fixou com a sua família. O primitivo pequeno burgo, localizado “em um vale formoso de singular arvoredo, cheio de funcho até o mar”, como referem os primeiros cronistas, recebeu o nome Funchal, tornando-se rapidamente no principal núcleo populacional do Arquipélago. O melhor porto e o clima ameno conjugados com a excelente posição geográfica na costa sul - a mais produtiva da Ilha - depressa permitiu ao Funchal um fulgurante desenvolvimento urbano, ultrapassando rapidamente as restantes povoações insulares que passaram a gravitar em seu torno.

 
Funchal 1772, Thomas Hearne
Funchal 1772, Thomas Hearne

Entre 1452 e 1454, ainda no reinado do Infante D. Henrique, o Funchal teve o seu primeiro foral, que o elevou à categoria de vila. A partir de 1480 passou a haver representação dos mesteres na vereação camarária (casa dos 24).
Com o desenrolar da segunda metade do século XV, a cultura sacarina desenvolveu-se excepcionalmente. Os canaviais proliferavam por toda a costa sul da Ilha, desde Machico até a Fajã da Ovelha, colhendo o Funchal, mercê da sua localização, os dividendos mais importantes deste surto económico açucareiro. O Funchal transformou-se num centro obrigatório de passagem das rotas comerciais portuguesas de então, para onde foram transferidos os grandes interesses comerciais europeus. Aqui fixaram-se aventureiros e comerciantes das mais recônditas origens em busca de melhores condições de trabalho e de vida, como foram os casos de Cristóvão Colombo de Génova, do seu amigo João d’Esmenaut da Picardia, dos Lomelino de Génova, dos Acciauoli de Florença, dos Bettencourt de origem francesa, entre outros.
No final do século XV, D. Manuel, Duque de Beja, que detinha o controlo da Ordem de Cristo, incentivou o planeamento e a estruturação da progressiva e próspera vila. Assim, mandou levantar os Paços do Concelho e dos Tabeliães, aptos a funcionar em 1491, enviou o pelourinho da vila, então denominado “picota” (1486), construiu uma igreja nova que depois foi elevada à categoria de Sé Catedral em 1514 e, quase ao mesmo tempo, mandou erigir um hospital e a nova alfândega do Funchal.
No início do século XVI, mais precisamente em 1508, o Funchal é elevado à categoria de cidade, poucos anos depois a sede de bispado e mais tarde, após a criação das dioceses de Angra, Cabo Verde, São Tomé e Goa, a arcebispado, passando a ter como sufragâneas aquelas novas dioceses.

1570 – Mapa de Mateus Fernandes
1570 – Mapa de Mateus Fernandes
A cidade desenvolveu-se, então, por uma longa rua ribeirinha que, ao longo do seu percurso e história, conheceu vários nomes como Santa Maria, Caixeiros, Alfândega e Mercadores. A partir daquela rua nasceram outras perpendiculares, contornando as três ribeiras que atravessam o largo vale e se dirigem para as serras. A primeira e principal foi a Rua Direita, nascendo na foz das Ribeiras de João Gomes e de Santa Luzia. Seguiram-se o Caminho do Palheiro, o caminho de ligação ao Monte, o caminho de ligação a Santa Luzia, o caminho e Calçada de Santa Clara e assim sucessivamente.

 Paralelamente à rua principal ribeirinha surgiram outras, como ao longo do calhau, a Rua da Praia, e entre as Ribeiras de Santa Luzia e de São João, a Rua da Carreira, “pelos cavalos que costumam correr nela”, como refere o cronista Gaspar Frutuoso.

No século XVII, com o recrudescimento dos tratados comerciais com a Inglaterra, instalam-se na Ilha importantes mercadores ingleses que, a pouco e pouco, acabaram por controlar o cada vez mais importante comércio vinícola insular. Este incremento levou ao aparecimento de uma nova cidade, com casas senhoriais urbanas, dotadas de um andar nobre para habitação, geralmente com varandas de sacada articuladas com as janelas de um andar intermédio de serviços, um piso térreo para arrecadações e adegas, e ainda uma torre que, para além de funcionar como um emblema senhorial, era imprescindível para ver o movimento do porto e controlar as chegadas e as partidas dos navios que vinham carregar as pipas de vinho Madeira. 4 200 150

A partir dos finais do século XVIII a cidade espraiou-se pela encosta, até ao Monte, com pequenas residências senhoriais, dotadas de parques com árvores exóticas e mirantes sobre os caminhos, com as “casinhas de prazer”, nascendo assim a quinta madeirense e passando grande parte das residências urbanas para funções essencialmente comerciais.
Entretanto, ao longo do século XIX, a Madeira e a cidade do Funchal transformaram-se em mitos românticos europeus, com a passagem pela Ilha de personalidades como a Imperatriz Sissi da Áustria, a Rainha Adelaide de Inglaterra, a Imperatriz viúva do Brasil e a sua filha, a Princesa Maria Amélia, o futuro imperador do México e a sua esposa, a Princesa Carlota da Bélgica, e muitos outros nomes sonantes da nobreza europeia. A suave encosta do Funchal ganhou foros de estância turística terapêutica e a cidade passou a ser incluída, quase obrigatoriamente, nos roteiros do Grand Tour do nascente turismo internacional.
Os finais do século XIX e os inícios do século XX foram marcados pela revolução internacional dos transportes marítimos e depois aéreos. Assim foram criadas as novas instalações do porto do Funchal, depois do aeroporto de Santa Catarina, com o Funchal a tornar-se num centro de turismo internacional, dotado de um importante parque hoteleiro.

 
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