28 Março 2017
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Ciclos Económicos Versão para impressão Enviar por E-mail

Introduzida a cultura da vinha logo com os primeiros povoadores e com o incentivo do próprio infante D. Henrique, já em 1455 o navegador veneziano Luís de Cadamosto, ao visitar a Madeira, refere a excelência dos vinhos madeirenses, principalmente malvasias originárias da ilha de Creta, assim como a sua exportação. Nos meados século XVI, o célebre dramaturgo inglês William Shakespeare, cita já a importante exportação e notoriedade do malvasia madeirense, colocando o duque de Clarense, irmão do rei Eduardo IV de Inglaterra, a escolher a morte por afogamento dentro dum tonel deste vinho. Na peça Henrique IV, descreve Poins a censurar Falstaff por ter vendido a alma ao diabo por um copo de vinho Madeira e uma perna de capão frio, não podendo haver assim melhor referência a este vinho.

 
Antigas armas da Cidade
representando a vinha e a cana sacarina
Antigas Armas da Cidade

Mas o incremento vinícola tem lugar sobretudo a partir da crise da cana sacarina, atacada pela concorrência do Novo Mundo, da África e por epidemias várias, conjuntura a que não é estranho o ataque dos corsários franceses de 1566, efectivamente um rude golpe na economia do Funchal. No século XVII com o recrudescimento dos tratados comerciais com a Inglaterra, instalam-se na Ilha importantes mercadores ingleses que, a pouco e pouco, acabam por controlar o cada vez mais importante comércio vinícola insular.
Com este incremento cresce uma nova cidade, com casas senhoriais urbanas, dotadas de um andar nobre para habitação, geralmente com varandas de sacada articuladas com as janelas de um andar intermédio de serviços, um piso térreo para arrecadações e adegas, e uma torre, não só e como noutros lados para emblema senhorial, como também imprescindível para ver o movimento do porto e controlar as chegadas e as partidas dos navios que vinham carregar as pipas de vinho Madeira.
Igualmente os vários governadores da Madeira e até os conventos do Funchal entram no comércio vinícola. Assim, enquanto a Companhia de Jesus desenvolve a vasta propriedade do Campanário, que se estende até à célebre Fajã dos Padres, produtora dos melhores vinhos da Ilha, segundo se dizia, por outro lado, as freiras de Santa Clara, detentoras de algumas das maiores propriedades da Ilha, entram igualmente neste comércio, financiando mesmo navios para levarem vinho para o Brasil e trazerem açúcar, imprescindível para o seu comércio de doces.
No decorrer do século XIX duas graves epidemias atacam as videiras madeirenses, causando perdas gravíssimas e levando à tentativa de recriação da cultura da cana sacarina, montando-se engenhos de moer a vapor, numa tentativa de aguentar parte do capital investido na Ilha. Por outro lado e de forma a tentar aguentar o mercado internacional do vinho da Madeira, tentou-se a plantação de castas mais resistentes, embora de inferior qualidade.

 



 
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